Terça–feira de conversas pelo Projeto Retratos Contemporâneos

O Centro Cultural Sesc Boulevard recebeu na noite de ontem (08) os artistas Armando Sobral (PA), Éder Oliveira (PA), Ernesto Bonato (SP) e Fábio Baroli (MG) para uma conversa com o público sobre retratos pictóricos. A ação abriu a programação do Projeto Retratos Contemporâneos, proposto por Éder Oliveira e viabilizado pelo Programa Rede Nacional Funarte de Artes Visuais 2015, do Ministério da Cultura. O encontro foi mediado pela curadora Marisa Mokarzel.

A roda de conversa nasceu de “uma vontade antiga de interagir com mais pintores e outras pessoas que retratam a figura humana”, contou Eder. Ele já conhecia há muito o trabalho dos artistas convidados e os usava como referência em seus estudos. 

 O compartilhamento de experiências é o objetivo central do projeto. “A troca em arte é rica e importante, não só entre os artistas”, ressaltou Fabio Baroli. O artista mineiro trabalha atualmente o retrato em um contexto maior, inserido dentro das cenas cotidianas pintadas por ele. Fora do formato tradicional, possui várias narrativas e situações dentro de um único quadro. 

 Fabio se diz um “colecionador de imagens” e usa a fotografia como apoio no processo, numa mistura de significados cujo objetivo é a pintura. A arte e o trabalho do artista. O processo é tão importante quanto o resultado final. “O trabalho que a gente faz em arte se torna meio que autobiográfico, retratar o outro também é retratar a si”, refletiu.

UMA FIGURA QUE SOBREVIVE 

 “Eu tenho uma preocupação muito forte em trazer temas da minha realidade para aquilo que eu represento”, contou Armando Sobral. O processo de realização do seu trabalho começa pelo desenho e se apoia muito na história da arte. 

 O retrato está ligado à memória. Tirar imagens da voracidade da cultura digital do século XXI e se debruçar sobre elas em uma pintura de cavalete “é até um certo anacronismo”, afirmou o artista. Com as pinceladas são depositadas camadas de significados. 

 Ernesto Bonato passou a se dedicar à pintura de retrato recentemente (2010). Ele afirmou que esse “é o campo de maior dificuldade, justamente pela curiosidade que nós seres humanos sempre tivemos pela nossa imagem”. 

 Se perceber e perceber aquilo que está perto de você. Bonato pinta modelos vivos e segundo ele, “a pintura de retrato é um olhar duplo, um olhar para dentro e outro para fora. O encontro com o modelo é propicio para esse tipo de vivencia”.

Um tempo que se alonga, condensa e acolhe a simultaneidade. “A pintura feita da observação direta é uma segmentação de vários momentos”, finalizou.
 

PROGRAMAÇÃO 

Durante a semana Praticas Abertas serão realizadas com os artistas convidados, além de visitas à ateliers de Belém. 

 *Por Debb Cabral (ASCOM)

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